sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A estupidez do inevitável

Havia um suave descortinar da chuva.
Mas nada comparado a suavidade de teus beijos.
Tudo culpa do vinho.
Wine, wine, wine!

Havia ódio e desgosto quando falasse de teus antigos amores.
Mas não havia razão para tudo que aconteceu a nós dois.
Nem jamais haverá.
Palavras, estúpidas, palavras.
Queria me fechar em mim mesma.
Mas sem conseguir.
E aquele sentimento que pulsa dentro de nós.
Sei nem lá o que é.
Sorrimos todos para o amanhã.
E choramos todos sobre o ontem.
Estupidez.
Estupidez do inevitável.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O que ainda arde dentro de mim, metade.



E sinceramente, nem foi assim. Coração pulando dentro do peito,

sensibilidade à flor da pele. Tudo forçado, artificial. Te criei em mente como te queria em vida.

E não funcionou. E nem era para. Não nos gostamos de verdade, sim? Mas tentamos. E tentamos todos os dias, na luta para jogar o lixo fora e lavar a roupa.

Mas ainda haviam os beijos... esses sim, valiam a pena. Era pele, carne, calor... e era aí que tudo parecia verdadeiro. Como se a vida pudesse ser um eterno conto de fadas, avassalador... apenas saliva encantada.

E ninguém se importa. Ninguém se incomoda. Se terminou ou não. Afinal, éramos apenas nós dois, e o que é dois em um mundo feito de milhões?

Só sei que queria te dizer que foi engraçado sorrir, que foi lamentoso chorar, que foi estranho não te ver mais como metade minha, que gostaria de te ver infeliz, mas ao mesmo tempo em que rezo que um dia conseguiremos os dois serem felizes, cada um a sua maneira.

E te amo. Mas vou deixar de te amar.

E é isso.

E acabou.

E algo assim realmente tem fim?

Mistério... cruel como o tempo.

E é o tempo que arde ainda dentro de cada um de nós.






quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O silêncio necessário que não existe em mim.

Te cala sem te ouvir
te cala sem te ouvir que é melhor
Por que não?
E por que não te calas?
E páras de pensar, mesmo que por um instante,
seja por um instante...
e te calas...
em mente.
Apenas para achares que és gente.
Apenas para não perceberes o quanto és diferente.
E será tarde demais?



Apenas não consigo.
Mais.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Fumaça e notícias indigestas.







E ela foi falando, falando... e lá para o meio da conversa... de sua boca saía apenas a fumaça... a fumaça do cinzeiro perto dali. Tendo cuidado, seus olhos vagaram... e não se ouvia mais nada...
pois tudo que conseguia pensar é que, dependendo da pessoa que fala, palavras se tornam apenas fumaça... que sobe, sobe, e se perde em algum lugar no universo das mentiras e divagações...

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Havia um anjo dentro. Sim! Dentro. Mas ele foi se tornando feio. Por que? Ninguém sabe.
Um papel amassado na rua, um olhar desviado, um jeito de falar trocado... e estava feito! Jamais voltaria ser como antes. E por que? Ainda assim o anjo dentro dele se perguntava como relações humanas podiam ainda serem tão delicadas.


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O cara chegou, sentou ali do seu lado. Macacão cinza. Pão francês. Um saco contendo queijo, o outro contendo mortadela. Abriu o jornal, pôs o queijo e mortadela no pão e deu uma vigorosa mordida. E ela o invejou. Apenas por ele poder fazer isso sem se importar se iria engordar ou não, em dar satisfação ao padrão imposto em pensamentos. Notícia: Padrasto abusa de enteada.



E aí que ela não entendeu como se pode se comer pão com queijo e mortadela junto a notícias tão indigestas....

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Espera o elevador.

- Mas é, amiga, você tem que ser forte. É isso que importa, agora você vai ter que ser forte.- Mantra repetido. Um olhar e vejo a maquiagem borrada nos olhos da recepcionista. Me comove. Ela desliga o celular e começa a falar, quase como se fosse óbvio que me devesse uma explicação. Quase como se fosse óbvio que pessoas que nunca se viram deveriam se falar, principalmente em uma situação tão delicada:

- O pai da minha amiga morreu. E ela mora em Fortaleza. E me sinto tão mal por não poder ir lá apoiá-la...

- Nossa... foi algo de repente mesmo?

- Sim, sim. De infarto. E ele era a fortaleza da família.- Vai ver que eu me sinta até próxima dela. Vai ver que compartilhamos essa mesma tristeza universal do que uma morte pode trazer a uma família. Só sei que me comoveu.

- Mas pelo menos você tá fazendo o que pode... dando apoio a ela, não é?

Ela se recompõe mais, enxuga mais as lágrimas. Tenta dar um sorriso.

- Sim,sim.

Elevador chega.

- Espero que tudo dê certo, de uma forma ou de outra...- é o que consigo dizer, ao que ela realmente sorri e fala:

- Sim, temos sempre que ter fé, sermos otimistas.

E as portas se fecham... e o elevador sobe, comigo e minha nuvem de pensamentos e reflexões...






























domingo, 28 de agosto de 2011

Love will never tear us apart


Às vezes, cansada de lutar consigo mesma diversas e repetidas vezes, menina se senta, exausta, na frente do computador e deita sua cabeça, olhando para seu próprio braço e parede branca a sua frente.


Impaciência, amor, estranho, raiva, luta, arder, dor, saber, pensar, demais, sonhar, conquistar, decepcionante, felicidade, amiga, alheia, sorte, viver, respirar, teatro, pensar, arte...amar?


E essa música estranha e melancólica que ressoa em sua mente... Joy Divison traz mesmo uma agonia aparente... latente. Como um robô. Poderia apenas parar e olhar para o nada. Poderia também gritar para o nada. Mas e se este lhe respondesse? Não seria então dez vezes mais assustador?


Mas então! Foi aí que entendeu!
Que a saudade não estava no amar... e sim no cantar, deixar fluir...
sua música, arte através de si!
É disso e de tudo que isto envolve do que mais precisa!



Love, love will tear us apart... again
Love, love will tear us apart...



not again.





sábado, 27 de agosto de 2011

Entre o lá da ilusão e o cá.

É como se tudo na vida tivesse ritmo próprio.
Tudo fosse música.
Pessoas se tornando melodias.
E eu à toa, à toa... apenas absorvendo o que a vida tem a cantar.

- Você entende que existe esse meio caminho entre a mágica do ser e a mágica do perder?
- Entendo...
- Então porque você está cada vez mais perto de lá... me puxando para longe de você?
- Puxando para longe? Como assim?
- Sim, como uma armadilha... me desencantando cada vez mais...
- O que faz eu te desencantar?
- Isso eu não posso te dizer, você tem que saber...mas acredito já ter te dito antes... você é que não quis escutar.
- Escutar, escutar! Porque ainda insistes nisso? Palavras só servem para serem faladas nas horas boas, nas mentiras aveludadas, não na verdade...não na verdade.
- Será?


A linha é cortada nesta hora. Ambos caem, um para cada lado.
Ela grita. Ele ouve.

Ela - Teu beijo agora nada mais será do que um beijo! Terá gosto de saliva apenas! Nada, nada mais será.
Ele - Vai ver era o que eu queria desde o começo. Não entendes? Não existe mágica... a não ser em tua própria mente!

Dois pólos que se afastam. Cada vez mais são apenas rostos na escuridão...penumbra.
Até que nenhuma palavra se ouve. Um silêncio abafado, apenas pelos ecos do que costumavam ouvir. E aquela tenra e ainda nítida sensação de que esses ecos jamais serão realmente abafados... enquanto beijos existirem e palavras se perderem no meio do caminho entre a mágica e o desencantamento total do amor.


Entre eu e a Febre.








Eu e a Febre entramos num papo claro e reto.




EU- A questão é que... eu tenho direito de querer sair toda hora, todos os dias, rever todos os meus amigos... enfim, aproveitar bem meus últimos dias em Recife.

FEBRE - Sim, mas também há o outro lado da questão, que é... você não pode ser mil Adrianas ao mesmo tempo, apesar de aparentemente, de tão inquieta, ter energia suficiente para isso.


EU - Mas, mas... eu ainda insisto em ser! Quer dizer... não quero ficar parada, em casa, vendo os minutos passarem antes de eu partir...


A partir daí a Febre engrossa.


FEBRE - Olha, amiguinha, tentei falar mansinho... só para você não dizer que sou má, mas você é teimosa, pessoa difícil de se lidar, então... vai ser da minha maneira!

A pobre Adriana ainda tenta resistir, andar alguns passos, sair para caminhar, beber uma água, rever amigos... mas a Febre, quente, quente, lhe segura pelos braços e lhe queima todo o corpo, lhe trazendo uma terrível dor de cabeça e uma fraqueza terrível. Adriana desfalece na cama, onde dorme e dorme...


... e todos os dias parecem passar lentamente, como em câmera lenta, apenas na espera de que os remédios que está tomando lhe tirem desse torpor tedioso.



















domingo, 21 de agosto de 2011

A menina e o rosto estranho na janela



Às vezes é como se esse algo surreal me espreitasse pela janela.
Esse algo... esse rosto estranho, azul, deformado... mas ao mesmo tempo tão cheio de cores agora aguadas. E tenho medo de encará-lo porque me parece irreal verdadeiramente, apesar de tantas vezes em minha imaginação fértil eu transformar tantos e tantos momentos relativamente comuns em histórias tão fantásticas!
E porque me encara? Hein, rosto?! O que te fiz? Ou o que te pedi para fazer? E porque se escondes aí? Poderias estar andando... levar um Sol... sentir um sopro de vida... vai ver que este está se esvaindo em mim... mas não porque desisto, e sim porque não desisto de acreditar e... ser inquieta.

Mas ainda existe esse algo. E o que é? O que é que não consigo entender no quebra- cabeça da vida? E porque é tão difícil olhar para trás?


Esse rosto me persegue e me olha, triste... pedindo entendimento, compreensão... pedindo em palavras ininteligíveis e murmúrios rasgados coisas que estão além do meu alcance. Será? Mas o que está realmente fora do meu alcance? Coisas que valem tanto ou coisas que na verdade não servirão para mim?

Uma vez o passado riu-se do futuro, julgando-se superior. Uma vez o futuro quis brigar com o passado, querendo estabelecer sua superioridade moderna e única. E uma vez o presente riu-se dos dois, porque no final das contas todos se fundiam em um só. No momento em que escrevo já é tudo passado; imagine só quantas inspirações e expirações não fizemos agora mesmo e que já estão no passado?

A verdade é que mesmo sem ninguém se entender, todo mundo se entende, não é?
Cada coisa em seu lugar.
Cada pessoa em seu lugar.
Mas e quando algo te desestrutura?
O armário de bonecos cai.
E o que se faz? Me diz! O que se faz?
É meio difícil resistir a tentação de olhar para trás...








domingo, 14 de agosto de 2011

Com ou sem chocolate.




Teus olhos dançam sobre a luz que se apaga.
Mas não, não apaga.
Ela só fica mais forte... a luz.
Essa luz... dentro de mim.

Eu vi o Sol iluminando as plantas.
Vi os insetos fazendo serenata junto aos pássaros.
Vi a sombra se sobrepôr ao telhado da casa amarela, aqui do lado.
E o céu cinza... trazendo essa luz opaca que bate debilmente à minha janela.
E mesmo assim nem eram os teus olhos.
E mesmo assim nem precisavam ser teus olhos.
Só precisava ser... eu, aqui, observando o mundo continuar.


Por que na verdade... não se precisa de ninguém.
Se engole a areia, se alimenta da comida, se bebe a água e se continua em frente.
Por que cada dia é renovação, crescimento. Então vai ver que o que sempre precisamos,
independentemente de tudo, é um dia após o outro. E pode ser com chocolate ou sem chocolate.
Pode ser com música ou sem música. Mas basta extrair dele algo de novo, algo de bom, e você sente que as horas não passaram correndo à toa.
E gosto disso.

E vai ver que só esteja vendo isso agora por que só agora se abriram as janelas de minha mente.
Bem-vinda, nova fase... e bem vinda, nova futura terra esta que será Portugal.

Eu por mim mesma.
A arte por si junto a mim.
Ações e reações juntas... e simplesmente porque... sou realmente apaixonada por isto.






terça-feira, 9 de agosto de 2011

A menininha compartilhadora de sorrisos puros.

You and me are floating on a tidal wave
together
You and me are drifting into outer space and singing
Ooh ooh ooh
You and me are floating on a tidal wave
together
You and me are drifting into outer space
You and me are floating on a tidal wave
together
You and me are drifting into outer space and singing
Ooh ooh ooh(Coldplay- X and Y)

Eita doce melancolia essa que incendeia minha alma...
E esse ar úmido que me traz a chuva...
pela janela dessa sala apertada do teatrinho...
que amo.
E essa luz, essa luz que vem...
e esse som do Sport ecoando em peso através da boca de milhares de pessoas em
um estádio nada longe daqui.
Poderíamos todos sermos felizes apenas ouvindo.
Apenas vendo.
Apenas entendendo que a vida é,acima de tudo, saber olhar.
Olhar para as coisas certas.
Olhar para as pessoas certas.
E encontrar aqueles momentos, únicos, onde se pode rir e dizer que se sabe o que é viver e respirar. Se sabe porque se sabe amar. Se sabe porque se sabe respeitar.


E se eu te sorrisse de volta?
Você saberia sorrir para mim?



Estava eu esperando para fazer um exame.
Estava uma menininha esperando com seus pais para fazer algum exame.
A menininha pulou, sorrindo, rodopiou. De repente, parou.
E sorriu para a outra menininha perto dela. Viraram amigas.
Pulando iguais, dançando iguais. Sorri. Seus pais sorriam.
Uma funcionária do lugar sorriu.
Sua amiguinha teve de ir, ficou meio triste. Apenas por alguns minutos.
Seus olhos encontraram os meus. Sorrimos juntas.
Me vi nela.
E vai ver que um dia ela se verá em mim.




Temos todas as razões para achar um dia triste.
Se engordamos? O mundo acabou.
Se o trânsito está terrível, o stress começou.
Mas deve haver algo mais que isso, não deve?
Quando paramos de saber brincar?
Brincar por brincar, para fazer o outro rir,
e não contar vantagem.
Brincar apenas compartilhando sorrisos puros.
Vai ver aquela menininha é mesmo mais sabida que eu...
e do que todos nós.






sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Realidade remontada através de caixas.

Ei, psiu! Aí!
Se arranja, monta tudo, arranja tudo.
Levanta as caixas, leva embora.
Não interessa, só não deixa passar da hora!

E tão cedo aprendi, como tantas outras mil pessoas.
Que a vida passa, mas a dor perdura.

-Você precisa de ajuda?
- Para quê?
- Para remontar as caixas...
em outro lugar.
- Sim, mais do que preciso, mesmo que no caminho você ainda tenha a audácia de derrubá-las.

E se vão.
E no caminho, tudo está bem no início.
No meio, sem querer uma cai... e fica.
Depois, mais para frente, duas caem.
Ninguém mais sabe quem derrubou.
E importa?
Ao final, sobraram poquíssimas...

Tão poucas que parece ser inútil remontá-las nesse outro lugar,
mas ela insiste.
- Tá, valeu, brigada. Pode deixar que daqui eu me viro.
- Hum...tá. De nada.

E durante montagens e remontagens, são inúmeras as pessoas que aparecem oferecendo doce amizade...
Engraçado por que com o tempo todas elas vão virando apenas manchas, que corróem as caixas... e quase queimam sua pele... quase a torna vazia...
empty?

Talvez antes fosse.



Suar frio
de olhar vidrado
te vi mesmo
de cabeça pra baixo
quebra cabeça
tão bem remontado...

quebra-cabeça...
apenas sonho desvairado.

Uma realidade remontada
através de caixas.
Uma realidade remontada...
mas que jamais poderá ser descolada.

Acorda... acorda, menina.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A sentença final.

Foi num tribunal.
Foi em um tribunal que nos reencontramos.
Eu... e eu.


Sentada no banco do réu, juízes me espiavam.
Era Deus ali? Parecia ser, parecia ser!
Mas do lado dele... pessoas.
E uma pessoa com o rosto coberto de sombras...
quem era você, rosto estranho?

Haviam ao redor tantas lembranças...
uma delas desceu e me deu uma borracha.
E com quanto zelo tentei apagá-las!
Tanto, tantas... tentei.
Mas as amarras pareceram se tornar mais fortes.
E nem me importava mais...
vai ver que esse julgamento jamais acabaria,
equanto aquele rosto existisse ali, dentre eles...
o meu próprio.


SENTENÇA FINAL: Aprender a fazer qualquer besteira sem jamais se arrepender.


CONDENAÇÃO: Você tem o resto de sua vida para viver sua própria prisão.
Ou para, quem sabe, se livrar dela.



So...deal with that, girl!

domingo, 31 de julho de 2011

Fold it in toths.






Juro. Nem fui eu quem escolhi.


Nem fui eu.


Se eu te jurasse... você acreditaria?


Se eu te desejasse... você entenderia?


Você se deixaria desejar como te desejo?



Você poderia saber então que é o medo.


Que é o medo que me faz agir assim.


Será que morar só em seu próprio pensamento é bom?


E se nessa morada for tudo mentira?


Ou... o mais assustador de tudo...for tudo verdade?



Me diz!


Como reajo?


Como devo reagir?


Vida não tem Bíblia.


Vida não tem manual.

Muito menos pessoas...







Meninos que brincam dançando, em uma ciranda.


Nem importa se é besta ou não, são adultos.


Adultos brincando de ser criança.


Música.


Risos.


É isso, Phoenix 1901, que você me traz!


Porque foi tudo tão belo...


tão engraçado e estúpido que é bom lembrar.


É apenas lembrar as loucuras maravilhosas que a vida nos dá.







Fold it, fold it, fold it, fold it...



Fold it, fold it, fold it, fold it!






























sexta-feira, 29 de julho de 2011

Quais são as palvras que você quer me dizer?
Quais?
Sorria diante desta catástrofe, querido.

Vai que em nuvens escuras e catárticas se esconde um sorriso macabro de tristeza. Dentro de todos nós pode existir uma caveira assustadora, debaixo da pele... coberta pelos músculos faciais que se alongam a medida que tentamos ser felizes.

E somos, não somos?
Todos os dias tentamos sê-lo.

E quando à noite... aquele vazio imenso tenta penetrar em nossas veias... adentrando sorrateiro pela porta, quem somos nós, sozinhos no mundo? Somos nós mesmos ou um resquício do que deveríamos ser?
Vai ver que o desespero da solidão é apenas uma ilusão... pois, ao final, todos nós somos felizes!

Eu não queria olhar em teus olhos e te dizer isso.
Eu não queria... mas olhei. Mas disse.
E isso não muda mais nada.
O passado não se muda.
As marcas não se mudam.
Só se muda o futuro... o futuro, menino!


E esperar que teus olhos me curem...
E esperar que teu carinho me cure?
Há!
Apenas se quissesse morrer.



Obs: Texto feito após assistir a perfomance "Radiações Invisíveis", e nela inspirado para trazer algo de meu.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um nervoso que bate.

Sei lá. Cartas...


Às vezes fico nervosa por nada.
Ou nem é exatamente por nada e sim... pelo que pode ser.
Há algo mais assustador do que isso? O pode ser?
Antes fosse antes mesmo de eu saber!

A chuva veio... desceu sem medo.
Ontem quando fui no cartório vi um menininho... pequeno, mas não tão pequeno assim.
Teatralmente, brincava, fingindo que uma mão sua era um avião, enquanto a outra representava as sombras... Fiquei hipnotizada pela brincadeira. Ele fazia barulhos, imitando cada ruído avionístico e narrava ao mesmo tempo... contava uma história para si mesmo, enquanto que ao seu redor, pessoas cansadas só esperavam sua vez chegar.
Voa, avião, voaaaaa...
Voa, avião, assim como a minha imaginação...


Perfume. Como é o perfume de cada pessoa? E como é o seu?
Será que o seu bateria com o meu?

Um dia me deixei encharcar pela água... e peguei algum resfriado.
Um dia todos decidiram ser românticos e sorriram para a lua.
Um dia conversamos o dia todo... e eu mal podia esperar para te temer de novo.
Temer... e tremer.

Medo do que poderá ser.
Todos temos medo.
Mas por quê o meu medo parece ser sempre maior que o dos outros?


Uma terça-feira agitada e melancólica borbulha...
enquanto lá no céu, tudo fica escuro- acinzentado.
Ainda vou te entender, céu, no meu destino coalhado de medo e ansiedade... desejo desse algo mais que nem sei se existe.

Mas e você? Realmente existe como é em minha mente?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Myrian e a água que veio.






- Ô Myrian! Ô Myrian!

Portas se abrem, janelas também. Casas ressoam, pessoas em vaivém.

- O que foi?- Uma voz monótona e rouca de quem acabou de acordar...
- Vem uma água, Myrian! Vem uma água agora! Vai rasgar tudo, tudo por essa madrugada! Nossas casas, postes, sentimentos, censuras! Nossos corpos, sangue, nossas peles nuas! Tudo se vai! Tudo se vai! Tudo se vai... para voltar nunca mais.

Myrian mal se mexe. Em sua cama se aquece. Dormir é tão bom... sonhar é maravilhoso!
Para quê se acordar? Melhor em um sono profundo entrar... mesmo que seja para nunca mais voltar...

- Não. Eu vou...vou...ficar.
- Mas, Myrian... vão levar tua alma... Mas Myrian... e teu corpo, quem velará? A água? A água?
- Sim, sim... prefiro que seja a água... àqueles olhos febris que me cercam... de falsos amigos e familiares que pretensamente me veneram...
- Preferes a morte, então? É isto?!


Myrian abre seus olhos febris, verde como plantas em musgo... Estranha Myrian... qual é seu verdadeiro mundo? Qual é, Myrian, seu verdadeiro mundo? Talvez não seja este, por seu coração ser por demais fundo... Profundo.

Os alarmes são dados. Pessoas correm para todos os lados.
A água que vem carrega sem medo... o peso, o peso, carrega sem medo.

- Myrian...
- O que foi?
- Só não deixa a água te levar a imaginação, tudo bem?
- Tá... tentarei...tentarei.


E a água veio e levou tudo, mas de Myrian, nunca mais se ouviu falar... apenas de sua incrível criatividade, que bóia até hoje no mar...

...onde estranhos anjos se revezam para ela velar.





sexta-feira, 22 de julho de 2011

Pessoas, juventude e hipocrisia.






Às vezes as pessoas querem dizer tanto umas para as outras e acabam não dizendo nada.
E o que acontece?
E o que acontece com as palavras que morrem?
Está aí então...
elas NUNCA morrem.


- Não consigo me conectar com você.
- É? Porque? Estou tentando te persuadir de mil maneiras... há um bom tempo...
- E você acha que merece um troféu por isto?
- Não, apenas um beijo e talvez... algo mais.


Em algum lugar, no momento em que o mundo foi criado, existia um algo mais que condensava a todos nós, como uma massa deliciosa de sorvete! Vai ver cada sentimento tinha um gosto diferente... variava muito...ia de baunilha a chocolate, avelã... mas não deixavam de ser sentimentos... não eram apenas carne. Carne não existia. Pele apenas não existia. Não que não pudessem existir, mas apenas não eram necessárias.

Como um montante. Um montante de dinheiro.
Pessoas podem ser como moedas. Uma por uma, passando pela mão do banqueiro...
uma a uma, o dia inteiro, durante vários ciclos de um ano inteiro.
Umas valem mais, outras menos... e quanto você gostaria de valer, como moeda?

Quanto?


Vai ver essa pergunta ecoa no espaço.

Vai ver que Deus olha lá de cima e ri desses seres desesperados que procuram sentido numa vida aparentemente inútil.

Vai ver nem sei mais quem sou... se é o tempo meu senhor, senhor de mim, dos meus medos e pensamentos, e hoje você só fez piorar isso. Piorar...isso.

Mas, ao final do dia, somos todos ainda jovens, dispostos a ainda procurar esse destino impetuoso e rico que se dispõe a nossa frente... É só isso que queremos, e atrás disso iremos! Avante, avante, sem tormentos! É realmente muito bom ser jovem... mas até quando esse jovem pode durar? E até quando valerá a pena durar?


Não vou mentir que dói pensar...
só nos resta nos preparar para o que vier.



- O que você quer ser quando crescer, menino?
- Hum... eu quero ser um bom contador de moedas!



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Cores vivas que podem ser secas também.

- Vem me visitar...
- Eu?
- É! Por favor... vem me visitar...
- Hum...tá, se der. Agora estou atrasada.

Inesperado acontece. Cedo volta do estágio.
Conhece o lar de seu amigo... que na verdade é um lar temporário para várias pessoas, de várias nacionalidades... e idiomas, que no final se encontram no português.


Meu dia foi tão colorido ao final... mas tão que virou cor viva!
Viva cor! Cor viva!

Então foi... então penso mesmo...


- Então, qual é o meu diagnóstico?
- Muita atividade e pouca concentração. Muitos pensamentos e muita emoção. Precisamos te dar um remédio.
- É? E qual ver ser?


Vício: bebida? depressão?amor?ódio?

No way!



Em um momento, se viu só. Olhando uma rede... era uma grande rede. Antes aquilo tudo era uma prisão, agora... parecia mais um mar de sonho... As grades se converteram em rede, que fisgaram os mais interessantes e belos peixes... E olhe só o que você perderia... o que você perdeu... ao deixar se prender dentro daquelas grossas e pesadas barras.


Existia uma vez um peso... há um certo tempo atrás...
Existia processos, falta de coragem, estupidez, egoísmo...
mas há muito tempo atrás.

- Seu?
- Não, não meu... mas que recaía sobre mim.



Eu nem quero saber se você é interessante.
Eu só quero te beijar.



- Mas então, doutora, qual vai ser o meu remédio?
- Um comprimido por dia. Um desafio por dia... de se desligar de sua própria personalidade inquieta.


Inquieta... inquieta... ou incompleta?


Vai saber lá o que tem razão... se é o horóscopo, medicina ou a própria e louca vida...

E, afinal, sendo jovens, temos todo o tempo do mundo para descobrir... não é?

terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma história sem fim.

- Why are your eyes so closed?
- I don´t know... really.
- But why... why your eyes are so closed?
- I DON´T KNOW...really.
- Ok. So i am not gonna ask you... anymore, ok?
- Ok. It really doesn´t matter.
- No. YOU don´t matter!


Uma vez eu prometi jamais te reencontrar. Nem quero. Nem quero. E nem vou, nunca mais...

Uma vez sonhei em te encontrar. Mas dá medo, medo... do ar, do som das águas, do vazio inesperado da solidão de uma mensagem perdida... E se você não for meu arquétipo?
Quem será você, então? Quem será eu? Quem seremos todos nós vagando no mundo?


E, de uma vez por todas, desistiu. Sabia que o caminho estava aberto... só precisava aproveitar. A vida, as cores, cada uma mais bela do que a outra... Sorrisos, desejos, promessas desfeitas em menos de um minuto... talvez alguma covardia, de vez em quando. Mas nada mais,
nem ninguém, importava mais... do que ela mesma.


E alguém poderia culpá-la?
Você, por acaso, poderia?
Quem? Quem, em todo o mundo, poderia?






terça-feira, 12 de julho de 2011

A taça de vinho em cacos que quebram no chão.



A taça esborrou. De vinho. Era de vinho... não era?
Aquela taça... exatamente aquela.
Na verdade foram as pessoas... são as pessoas que esborram... não a taça.
A taça continua lá, intacta. Mas eu continuo não sabendo o que fazer. Continuo não sabendo o quê pensar... nem quando pensar...
Mas na verdade o problema nunca foi a taça... foi?
E sim... E sim as pessoas.
Sempre foi esse.
Porquê?
Porque é mais fácil culpar as pessoas do que a própria taça... de vinho; não, não, de sangue!
Taças de sangue!
Mas espera... taças?
Eu nunca disse taças... disse taça!
A culpa é da taça, da taça! Sempre foi da taça...
não foi?
O jantar acabou e a culpa foi da taça.
Simples assim.
Fraco assim.
Como cacos quebram no chão.
Como momentos quebram... no chão.
Como pessoas se quebram sem nem perceber...

Mas, afinal, a culpa é foi da taça ou nossa?
Ninguém sabe...
se sabe apenas que o jantar acabou...e com ele, todas as boas lembranças esmoreceram com o tempo...

domingo, 10 de julho de 2011

Verdade tinta seca.

Nem sei porque.
Nem sei porque tentei.
Mas tentei.
MAS tentei.
Todos tentamos um dia.
E se não tentamos, somos apenas... covardes.
Por que ninguém quer se peguntar o ``se``...
todos querem o ``foi``.
E é assim que as coisas funcionam.
É simples.
No final das conta, é muito simples.
Todos querem o ``muito``.
Ou, pelo menos, fingem querer.
Então... esquece que eu falei isso porque,
da mesma forma que eu falei, mil pessoas falam umas às outras belas coisas
para se deixarem esquecer no outro minuto.
Dura tanto quanto.
Merece durar tanto quanto.
Palavras são descartáveis, então...
apenas descartem tudo que eu lhes disse,
e guardem suas próprias verdades.
Assim como as palavras, beijos.
Só que esses nem sempre são tão fáceis de serem esquecidos...
Porquê?
Vai entender!




E uma boa noite para você.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O pântano de dúvidas incertas.

Às vezes me dá vontade de ser covarde.
E de fugir de você.
Porquê?
Porque , no fundo, acredito que você é tudo que eu poderia querer...

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Até parece que você não sabe.
Não sabe... o quê?
O quanto eu quero te ter.
Há! Deixa apenas o dia amanhecer...

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São apenas frações.
Frações de segundo para perceber.
Tenho o dia todo, se tem o dia todo... para viver.
E ninguém quer esquecer.
Mas acaba... esquecendo.


Memórias são tão fracas, não acha?
Não. Acho até que são fortes demais.
Mas e porque deixam que elas se percam ?
Porque não querem deixar elas entrarem, só isso.
Que engraçado, todos são carnes.
É, carnes necessárias.
Para quê existimos? Para nos servir uns aos outros?
Não. Para fingir que servimos uns aos outros, mas no fim das contas
só servimos a nós mesmos...

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O dia hoje está belo.
Queria que assim estivessem meus pensamentos.
E quando os dois não batem?
Ah! Se vira, ué.
Tá. Me viararei. Em outra pessoa, pode ser?
Não! Ninguém pode ser outra pessoa. E nem adianta querer ser. Os pecados e arrependimentos continuarão sendo os seus. Simples assim. Complexo assim. Se perdoe, se conforme.
Sim, sim, me perdoarei...

E assim vai continuando a estupidez inata do ser humano, dia após dia, tentando acalentar seu próprio pântano...
Pântano de dúvidas incertas.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Morcegos e borboletas.

- Lembra quando te disse?
- O quê?
- Que um dia te perderias entre palavras e promessas... e canções?
- Lembro, lembro, mas... de que vale isto agora?
- Nada. Apenas nada. Só quero sorrir...
- Sorrir? Diante deste mundo de mentiras?
- É.
- E porquê, posso saber?
- Por que vai ver que um dia, no meio de todas essas mentiras, encontro a verdade...



- É, bem que te falei... de longe, até morcegos parecem borboletas...

terça-feira, 5 de julho de 2011

Um quadro de subconsciente coletivo.

Foi apenas o abrir das janelas.

Apenas.

Apenas que se tornou muito.
Uma lufada de vento me tomou.

Em minha casa, tão grandiosa e bela... apartamento dentre todas as outras.

Branca caiada de rosa-claro.

Meus cabelos voaram e não me importou.

Minha camisola pueril voou em meu corpo e não me importei.

Era apenas eu abraçando o vento, e vice-versa.

Mas foi, afinal, a visão que me tomou...

e eu sabia, sabia que naquela manhã seria tudo diferente...


A paisagem se encontrava suave, o céu em nuances de um azul claro misturado a um rosa delicadamente aquarelado. Vai ver ainda estava sonhando... era? Não, não era sonho.

Senti também que todos paravam naquele momento. Todos.

Para observar. O céu.

Rodeado de pequenas lâmpadas voadoras.

Mas eram mesmo lâmpadas?

Não, não eram!

Eram seres... ou algum tipo de balão onde pequenas mas intensas luzes azuladas brilhavam...

Engraçado porque tudo agora parecia de várias cores fechadas em uma cor só.

Tudo era conjunto... tudo era mágico.

A grandiosidade da paisagem me abarcou, senti arrepios de medo misturado ao encantamento.
Vai ver eu estava em uma pintura móvel.

Vai ver eu não era ali mais apenas indivíduo, e sim personagem...

Vai ver...

vai ver...

mas eu vi.





Vi tudo aquilo e foi a coisa mais bela que eu poderia ter visto.

Seres ``lampadorísticos`` iluminando uma madrugada rósea.

Pessoas paralisadas em meio a rua, céu, mar, apenas olhando e sentindo...

apenas olhando e sentindo... como eu.

Vai ver sou pequena demais para esse mundo real em que vivo.

Mas vai ver sou perfeitamente completa para esse outro mundo fantasioso

onde todos nós temos de viver, de vez em quando... para realmente se sentir bem.



Ou vai ver estava apenas eu em um quadro.

Ou vai ver vivemos todos nós em pequenos quadros, tão separados...

que se juntam, vez ou outra, no subconsciente coletivo.


O que importa é...

sermos todos diferentemente iguais.





segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um desenho ilusório...

Toquei primeiro com os meus pés... fiz círculos ao redor...
Toquei segundo com minhas mãos... fiz triângulos gigantes ao redor...
Sorri.
Deixei.
Não era nada.
Apenas um desenho... tocando a água.
Passarinho voa?
Sim, sim... pra bem longe daqui.

Your eyes closed...
Your head hurts...
Your eyes feel so low (Coldplay- For you)


Sentir o corpo ir é mesmo que sentir ele voltar?
E as chagas, onde ficam?
Você por acaso sabe o que é um sentimento?
Ah, faça-me o favor...
faça-me o favor...

O favor de viver,
de aprender,
de se arrepender!

Ninguém mais quer...
saber.
Só sentir...
o que não há mais para sentir.

Eu poderia mesmo ver uma paisagem surpredeentemente bela, sabia?
Poderia imaginar o céu em tons de azul borrado misturado a um verde-leite...
É, verde-leite! Eu que inventei, vou deixar esse nome e pronto!

Continuando...
o Sol seria mesmo amarelo com tons alaranjados...
as montanhas seriam de tom azulado- escuro...
E os pássaros?
Ah... esses seriam de um rosa maravilhosamente claro!
Sim, sim, claro... como a luz do Sol.
Como a luz de quem sabe teus antigos olhos...
como a luz de quem sabe meus futuros olhos...
mas jamais da boca.
Jamais... da boca.
Porque, igual a todo mundo, EU determino!
Eu sufoco, eu opino!
E nem importa... sabe o porquê?
Porque às vezes eu nem sou eu... nem você é você.
Apenas espectros sobrevoando o mundo...
negro.
Mas ainda se torna colorido, sim.
Se torna porque eu quero... e eu sei que você, assim como TODO MUNDO,
também quer.
Todos querem...
Porque, ao final de tudo, todos apenas querem...
ser MUITO FELIZES.


E isso é tudo...( nome de uma esquete de Harold Pinter)

domingo, 3 de julho de 2011

A menina no rio corrente...




Primeiro quis colocar os meus pés... naquela água.




Mas tive medo, afinal, eram tantas cores... e tanta cores podem acabar te cegando, não é?




Não podem elas te cegar completamente?




Mas pus mesmo assim...




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Ela era apenas uma menina... não como qualquer uma.




Palavra a descrever: diferente.




Vai ver sentia demais, queria demais, se doava demais...




Foi visitar uma velhinha, uma suposta feiticeira do lugar, sábia coruja de olhos bem abertos.




Seus longos cabelos iam até os pés... e seu estranho sorriso ia até os cantos da bochecha.




Mas transmitia uma boa energia...








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Queria saber se olhava primeiro para dentro de mim ou para dentro dela.




Tão estranha mulher... feiticeira... coruja de olhos bem abertos.




Iniciou-se o rito... abriu as mãos, espalhou pétalas sobre mim e me abençoou.




Deveria eu deixar?




Nem sabia mais quem era eu...




só queria me achar de novo, pelo menos mais uma vez... através de, quem sabe, outro algo... ou outra pessoa...








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Ela saiu dali abençoada e mais leve.




Chegou ao rio, ao rio prometido.




Lá várias folhas passavam, cada uma de uma cor.




Deveria pular em uma delas, tendo porém muito cuidado para não se afogar.




Confiança seria muito importante naquele momento, senão poderia afundar...




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Eu nem sei porque sorri para aquilo tudo.




Parecia mais um sonho...




E eram tantas cores nas folhas... grandes... mas não gigantes.




Cada uma mais bela do que a outra.




Poderia uma delas me levar a esse outro mundo?




Onde todos se amam e se querem?




Sem medo, sem maldade, sem estranheza?




Quem sabe a minha pessoa estaria lá... do outro lado?




Ou, pelo menos, o meu objetivo final...








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Ela tomou impulso...




pulou.




Na planta cor de rosa.




Na folha grande cor de rosa.




Que afundou... e a levou... até a beirada do rio, quase caindo na cachoeira de águas fundas do nunca mais...




Mas passou uma outra folha... grande e azul... chamando-a... pedindo-a que subisse...




e foi o que ela fez, sem medo, mas ainda desconfiada.




Havia sofrido demais ao cair da primeira.








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Peguei aquela folha como se fosse a última, mas sabia que não era. Ainda teria que passar por muitas até achar a certa, a que realmente me levaria ao reino do onde quero chegar, do onde quero estar, do onde quero amar.




E sabe?




Serei paciente... porém consciente de que a vida é sempre um ritual de passagem, um mudar de águas, de folhas... de vento... direção... e por isso é tão maravilhosa, mesmo em suas terríveis dores...








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E assim, como milhares de outras, ela se foi, se tornando mais uma linha no horizonte, achando seu caminho no meio da tempestade e da calmaria.




Bela menina, você chega longe, não desespere...




Menina doce, você lá chegará, onde tudo pode acontecer, onde tudo se realizará,

onde o rio desaguar...
























terça-feira, 28 de junho de 2011

Abraços e anseios.

Será que espero muito mais de Lisboa do que ela pode esperar de mim?

Às vezes costumo rir sozinha... devem achar que eu sou louca.
Mas acham isso mesmo sem eu agir assim, então tanto faz...

Era uma vez uma história nada a ver que começou a ter a ver...
e aí se percebeu o quanto nada pode ter sentido, tendo.

E quanto custa se abrir uma janela?
Se abrir uma janela... para o coração?


Você sabe que é muito mais forte do que aquele tipo de pessoa já foi ou disse ser...
mas insiste, insiste em deixar a negatividade ceder.

Mas hoje não...tem algo morno, calmo no ar...
será o cheiro de café?
Não, não é apenas isso...
é o leve toque da manhã misturado ao da tarde e noite...
com leves gotas de cansaço.

- Te vi atuando no curta.
- Ah... por isso tava achando seu rosto familiar...

Que engraçado.

Tudo se mistura.
Mundo, cartões postais, pessoas.
E no final, dá em quê?

Talvez em palavras, em sonhos...
teatro!
Acima de tudo, o teatro e a música.

Vi hoje três vozes se entrelaçando belamente.
Outra se juntou, formando um quarteto.

Por que a música faz isso comigo?
Por que ela me deixa assim, sendo só sentimentos, nada de racionalidade?


Me abraça mundo, me abraça sonhos,
me abraça doce ingenuidade...

me abraça desejo, me abraça anseio,
me abraça, liberdade!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Revelações de cores em um dia comum...

- É apenas uma questão de...
Deixa eu te olhar de uma outra forma?

Silêncio...medo.

- Deixa?

Mas não, não se cala.

- Tá...deixo. Retiro toda minha máscara de distância para você, tudo bem?
- Hum... tudo bem... desde que você queira por si só, tirar.
- Sim, eu quero...ainda a passos lentos, mas quero... você será paciente?
- Hum... acredito que sim... Não tenho porque apressar as coisas... será o que terá que ser e nada mais...
- Tá, acredito em você.
- Legal.
- Legal.



Pessoas são mesmo mais complexas do que parecem... e revelações podem ser mesmo mais espantosas do que um dia comum jamais poderia imaginar!

Hum... não é que estou vendo tanta graça nas cores da vida de novo?

domingo, 26 de junho de 2011

A mente que existe por detrás de todos nós...



Às vezes me pergunto sobre o que é realmente poesia...



são palavras em um papel... ou em um computador?






Não, não, é muito mais que isso.



TEM que ser muito mais que isso!






Vem imagens entrecortadas...






Pôr do sol...



o cheiro da chuva misturado ao opaco nublado sobre uma vista encantadora,



onde um lago brilha ao entardecer e suas águas fazem macias ondas irem e voltarem...






O vento bateu no meu rosto... no seu também?



Será que bate da mesma forma?






Poderia ser apenas uma dança na grama...mas nem foi.



Talvez um risco de raio de alegria num inferno opaco e azul.












Nem foi talvez pelo porte...



talvez pelos olhos,



grandes e amendoados...



Nem era por tudo... talvez pelo espírito?






Risadas de um segredinho.






Batom borrado.









Você acha que se podem quebrar regras?



Pessoas são tão complexas...






Vi tantos sapos ontem à noite, quando caminhei pelo lago...



mas as fogueiras, essas sim fizeram falta... seu brilho ardendo na escuridão



pálida e maravilhosa dos postes na rua.






Não acho que se resuma a delicadeza.



Vai ver se resume ao sangue.



Sangue?









ANIVERSÁRIO.



Ufa! Que palavra difícil... que palavra PESADA.



Mais um ano... mais um dia para se refletir sobre tudo.



Mais um dia para rir de si mesmo.



Mais um dia para perceber o quanto tudo mudou, de cima a baixo...






E será que dessa forma tudo se entende?



Hum!



Não, nem perto...









Poderia existir um inferno feito apenas de palavras?



Palavras que não se consegue filtrar?



Poderia existir um inferno feito apenas de determinadas lembranças?



Lembranças que não podemos apagar?












Céu talvez seja... o encontro em paz consigo mesmo.



Talvez por isto estejamos sempre atrás dele, não é?






Talvez meu eco se espalhe nesta pergunta e não vá bater em lugar nenhum.



Nem sei se minhas palavras fazem sentido... fazem para vocês?






É noite...



dormir.



E sede.



Sempre sede de algo mais que o simples.



E isso pode ser assustador...



ou completamente instigante!






Não sei... o que sua mente te diz?



O que a minha mente me diz?



O que a mente de cada um nos diz?






O que se esconde, afinal, por detrás?



Por detrás de tudo...



O que se esconde por detrás...



da mente de cada um?






Vai ver temos que levar uma vida inteira para entender...









...e aí? Vocês estariam afim de esperar?

















domingo, 19 de junho de 2011

Um dia cansativo e feliz.

Hoje por causa de um menino engraçado conheci um louva-deus. Ele pulou encima de mim quando fui tentar tirar uma foto sua... Fiquei fascinada porque parecia muito com a fada do filme "O labirinto do fauno", não conseguia parar de olhá-lo. Andou por mim um pouco até ser recuperado. Engraçado foi sentir suas patinahs tão firmes e decididas. Olhando para ele, já se percebe ser um inseto corajoso e sábio. E, por mais que pareça estranho, é um inseto realmente bonito por ser exoticamente e maravilhosamente estranho. Parece quase gente, olhando assim.

Hoje conheci uma linda menina loirinha. Ela olhou para mim e sorriu. Uma bebê andante. Ela parecia muito comigo quando pequena... sorria para todos e cativava a todos com o olhar. Inocência pura, carisma puro. Às vezes eu queria voltar a ser apenas assim, ingênua...

Hoje sorri vendo o teatro virar história e história virar teatro. Assisti da minha janela formigas caminhando para sua casinha. Vi a luz entrar a passos lentos nesta sala onde estagio... Vi o tempo passar mais rápido que velocípede! Vi minha mente se entregar ao cansaço, mas ainda querer mais...

Hoje ouvi aplausos. Imagino se os ouvirei amanhã, em minha apresentação.
Hoje levei sermão de cuidados de mãe- chefe.
Hoje sorri de minhas trapalhadas.
Hoje fui chamada de "amuleto da sorte" por dois amigos atores que aqui se apresentaram.

Hoje, depois de um bom tempo, me senti mais leve realmente e pensei "Como a vida em contato com o teatro e com pessoas nele envolvidas me tornam uma pessoa mais feliz..."






Foi realmente um ótimo e cansativo dia!
Desejo para vocês um dia assim também :)

sábado, 18 de junho de 2011

A vasta escuridão de palavras...

- Ei... eu acho que você deveria voltar a acreditar nas pessoas...
- Por quê?
- Porque existem pessoas muito legais por aí...
- Você acha?
- Sim, sim!
- Onde, por exemplo?
- Bem aqui, na sua frente...
- Mas por que ainda não quero ver?
- Por que você não pode ver...
- E por que não posso?
- Por que não é por mim que você está interessada...
- E por quem é, então?
- Por alguém que você ainda vai conhecer melhor um dia...
- Hum... pode ser... ou pode não ser... nem sei se quero...
- Você quer... quer sim... sabe por quê?
- Não... por que?
- Por que, no final do dia, todo mundo quer uma companhia...


Será?
E foi?
E penso que sim?
Não?


Apenas viver... e me jogar nessa vasta escuridão preenchida de emoção!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Os olhos na escuridão

- Você não está entendendo...
- Não, não é isso! Seus olhos...
- Mas você não está entendendo...
- Não! Não é isso, já te disse! Mas...seus olhos... eles conseguem enxergar na escuridão?


Dois fios prateados são jogados do alto
se entrelaçam, se entrelaçam,
formando um cristal...

- Eu gostaria de me entender mais...
- Eu gostaria de entender todo mundo mais...
- Você acha que vai ser sempre assim?
- Um enigma?
- Não, uma merda mesmo.
- Não, acredito que não... mas gostaria de ver nos teus olhos...
- Meus?
- Sim, nos teus olhos... que conseguem enxergar na escuridão.


Passa dia
Passa noite
que renasce
e pede, nasce...
Pele, pele...
Todo dia...
todo dia,
para morrer à noite,
sem magia...
Quer voltar a ser menina?
Não, ainda prefiro essa terrível monotonia...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Apenas cansados...

Você acha que eu me importo?

É que...

Sinceramente. Você acha mesmo que eu me importo?


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Rasguei a foto. E foi mais do que merecido.
Sorri. Me senti leve... leve... como uma flor branca que pode voar pelo mundo...
mas não ainda sem medo.


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Minutos são feitos de cansaço?
E a memória do mundo, do espaço?
São feitos de quê?

Com certeza não incluem você!

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Na geladeira você tem pão, manteiga, amendoin, feijão, tudo misturado.

Então posso misturar a música com o teatro?

Sim, sim, sim!
Só cuidado para não misturar errado!

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Cansada, cansados, cansadíssimos.
Estamos todos cansados, acabados... de sono.
Boa noite!

sábado, 11 de junho de 2011

Apenas um dia feliz...

Estou apenas... feliz e cansada. Após um dia de estágio, pessoas interessantes,
revelações, beleza da arte e descobertas...
o que mais eu poderia querer?
Dormir...


Beleza dos anjos
ardente, ardente,
vida sem laço
demente, demente
que foi o regalo do amor e do chão,
do sol e da mão
da dor e sermão...

apenas congela esse dia feliz em minha mente, então!

terça-feira, 7 de junho de 2011

O alguém que nos espera?

- Ei! Você!
- Eu?
- É, você aí, em algum lugar dos meus sonhos...
- Hum... pode dizer o que houve?
- Não exatamente houve... apenas aconteceu... tive um breve relance teu... do teu rosto...
mesmo sem ainda te conhecer... nem saber quem você é...
- Eu sei...
- Por quê?
- Porque também vi o teu.
- Sério? Onde?
- Em um mar... era tão belo o mar... cheio de luzes roxas, azul-claras e espantosamente brilhantes! Você estava entre elas, lá no fundo, me chamando... me convidando a ser seu.
- Era?
- Sim, sim... Não dava para não te perceber... você é por demais especial para não ser percebida.
- Hum... será?
- Sim, sim... Só não me achou ainda, esse é o problema...
- E como eu faço para te achar? Às vezes acho que o mundo não tem mais volta... nem as pessoas...
- Muitas coisas não têm mais volta... mas eu... eu estarei aí quando você precisar de mim, conseguirei realmente te ver através dos seus olhinhos engraçados e suposta extroversão alegre... Eu só... serei quem você precisa, sendo eu mesmo, tudo bem?
- Hum... acho que sim... Mas você não me respondeu aquela outra pergunta...
- Ah... por que esta, só a vida poderá responder... e eu também gostaria que ela me respondesse, para eu te encontrar o mais rápido possível!

Risos melancólicos.

- Como você pode ser assim?
- Assim como?
- Assim... existir sem realmente existir.
- Te pergunto a mesma coisa.
- Tá... você venceu.
- Não, não há vencedores ou perdedores. Somos iguais.
- E agora?
- E agora você tem que ir... e eu também. Mas não se preocupa...
quem sabe agente vai se encontrar em uma esquina qualquer...
- ... ou em uma padaria qualquer.

Risos melancólicos.

Um beijo melancólico.

Um adeus e não-adeus melancólico.


- Até lá, tudo de bom para você!
- Até lá, tudo de melhor para você!


Planos, futuros...

o que nos espera lá na frente?


- Eu te espero.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Conversas simplesmente cotidianas e incrivelmente importantes.

- Agora eu entendo...
- O quê?
- O porquê de sentir aquele vazio...
- É? E qual era o porquê?
- Falta de objetivo imediato, simples assim!
- Só isso?
- Não. Isso e muitas outras coisas... que nem vale mais a pena serem mencionadas.
O que eu sei é que morri tantas vezes já... mas essa parecia ser a pior de todas, até que...
- Até que..?
- Outro dia nasceu e o vazio do nada se dissipou, se transformando em tudo de novo...
- Hum...
- Consigo voltar a ver beleza, mesmo onde parece não mais ter. Consigo simplesmente enxergar que, em algum lugar deste mundo, existe alguém... ou algo, apenas me esperando...
- E isso importa?
- Talvez sim... como o rato que corre atrás do queijo... mas será que o queijo realmente existe?
- Nem sei... mas dizem que sim... Tanta gente já achou o seu, por que você não acharia, não é?
- É! Exatamente!


Nada é exato.
Nem mesmo um exatamente.
Mas continuamos e sempre seremos...
gente.
Apenas gente.
E, talvez por isso, não tão indiferentes...
ao maravilhoso mundo de emoções que nos cerca!

domingo, 5 de junho de 2011

O FIM e seus desígnios estúpidos.

- Ontem eu fui em um jardim.
- É?
- É. Só que nele as pessoas eram como flores.
- Hãn? Sério? E como elas eram?
- Eram como flores, e suas palavras ressoavam como perfume pelo espaço...
até se tornarem pedras e se espatifarem no chão!
- E você?
- Eu o quê?
- E você? E você?
- Eu o quê, oras?!
- E você... acreditou?

Dsifarça, olha pros lados... sorri meio sem graça... e simplesmente pára, sério.

- Sim, em todas elas.

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- Você percebeu que não temos nada a ver?
- Sim... mas isso importa?
- Não.
- Então vamos ficar, mesmo assim?
- Sim.
- Perfeito.
- Perfeito nunca será, mas também não há muito tempo para se fazer durar...
e de que serve isso? De que serve o ``fazer durar``? Dane-se ele com seus sonhos!
- Sim! Dane-se ele... e dane-se nós.

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They are still screaming...
and we are still living.

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-Só continua, tá? Só continua a viver... e acreditar... e a ver tudo de uma forma diferente, tudo bem?
Senão... quem mais haverá para acreditar?
- É... ninguém mais é suficiente burro para isso.
- Não... ninguém mais é suficiente especial para isso.

E isso é apenas...o FIM.

terça-feira, 31 de maio de 2011

A liberdade em um pára-quedas.

- Ei, você sabia?
- Não, o quê?
- Que eu realmente não te desejava tanto e verdadeiramente?
- É?
- É. Eu apenas te amava... e com isso pensava alimentar desejo.
- Ah...
- Essa é a piada... Te amava pelo que eu pensava que você era, e não pelo teu corpo...
- É. A piada fui eu, desde o começo, te prendendo quando você tinha ainda tanto a viver e aprender...
- Sim, foi... poderia ter terminado de forma diferente, mas você fez ser a pior... e eu jamais vou te perdoar por isso.

Silêncio. Choro.

- Cala essas tuas lágrimas de crocodilo. Tenha coragem, pelo menos uma vez na vida e não se refugie em sua carinha de anjo!

Seus pedaços se partem, viram nada. Apenas um fantasma em meio a memórias não mais belas como costumavam parecer antigamente.

Pega impulso rapidamente, correndo, arfando, pois agora livre e só pode pular e alçar vôo pára-quedas no horizonte... que se mistura em rosa, laranja e amarelo...


``Você é livre``, repete para si, e mais feliz do que jamais poderia estar com um peso nas costas, sorri e se deixa planar... observando as árvores lá embaixo e novos pássaros acima...

Quem sabe que, no meio dessa confusão de nuvens, surja mesmo um rosto amigo e acolhedor...

mas sabe de uma coisa?

Ninguém precisa depender disso para ser feliz!

Voa, menina, voaaa...
e ganhe o mundo!

Porque você simplesmente...
sabe que pode.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A vida que fala.

Escutei o teu coração bater mais rápido.
Foi?
Mais rápido que o meu...
É...
Posso me deixar sorrir, só por hoje?
Sim.
Posso me deixar sentir alegria, só por hoje...mais amanhã e resto de semana?
Pode.

Ah...( Respiração livre...)

Beijos, abraços.
O que virá em seguida?
Só a vida dirá...
e ela gosta tanto de falar!
Ô como gosta...

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A chuva e Joaquim.




Quando agente está meio que doente, a vida parece tão eletrônica...




Filmes, net, papos, tv...




nada muito orgânico, não.




Por isso que só dá vontade de sair... sair pelo mundo...




nos sentimos até inúteis.












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Está chovendo. As gotas respingam nas janelas. Brincam e se jogam, umas contra as outras...








Menino olha pela janela, cortinas rosadas.








- Mamãe!




- Que foi?




- Vi olhos na chuva, mãe... Vi olhos na chuva!




- Meu filho, chuva não tem olhos... é mais fácil os olhos terem chuva! - ela ri, despreocupada, e continua a fazer sua arrumação pela sua mesa de escritório.




- Tá, mãe...tá...- diz o menino, com olhos arregalados de tanto medo. Evita olhar de novo pela janela, mas não resiste... algo lhe chama. Puxa a cortina, e ali estão eles... na chuva, parados, encarando-o, sorrindo... olhos sorriem? Sim, estes sim! Parecem olhos de mulher, com cílios imensos... mas não deixam de ser, de certa forma, assustadores...








- Joaquim? Vem aqui me ajudar, vem. Joaquim? - Mãe olha em volta.- Joaquim!








Procura ainda pela casa rapidamente, mas não o vê, até que resolve olhar pela janela...








Lá fora, Joaquim sente a chuva molhar sua pele, seus cabelos, sua roupa... nada mais existe, só a chuva e ele... De repente, se sente como que levado por algo... sim... os olhos... os grandes olhos da chuva o puxam para si...




A mãe de Joaquim sai de casa desesperada e grita:




- Devolva meu filho, chuva! Ele é só meu!








Porém a chuva não quer saber... quer um filho só para ela, e Joaquim lhe parece caber perfeitamente para isso... Ele é embalado em suas mãos de água fria... até que...




acorda e se percebe acima da terra e até... de sua mãe?








- Mãe! Mãe! Me tira daqui!








embaixo, sua mãe chora de braços estendidos para o céu.




Joaquim pede para a chuva deixá-lo ir... a chuva o olha com lágrimas e lhe diz:




- Joaquim, você foi o filho que eu jamais tive e nem terei... Te devolverei a Terra, mas sempre serás também o filho da chuva... e talvez um dia isso te sirva de algo...Adeus, filho querido...








Soltando-o na Terra, a chuva se despede daquele filho que tanto queria ter...












Joaquim cresce, se torna médico. Esquece do acontecido.




E a chuva se torna apenas uma memória fraca e indiferente...




Para que fantasia se existe a realidade da racionalidade, não é mesmo?












































































































































quarta-feira, 25 de maio de 2011

O enxame de abelhas.



Eu nem sei mais o que dizer.



É?



É.



Então não diz.



Não.



Não?



É. Só cansado de joguinhos.



Joguinhos?



É.



Não?



Não.



É.









Nada é.






Aprende, Adriana, aprende,



senão o mundo nunca vai aprender!









Vestiu-se de frieza,



banhou-se em mar de cálidas sensações,



rainha dos dias, das noites,



cobriu a todos com seus beijos...



e dormiu só, envolta em escuridão...









mas o raiar do dia lhe trouxe maravilhosa sensação...



de que a vida é mesmo, e sempre será...



um enorme enxame de abelhas,



com ferrões prateados e maravilhosamente enfeitados



de emoções!









E todos nós devemos ser ferroados por elas!



Senão, jamais teremos vivido...

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Música de raízes transforma dia comum.

Me enganei sobre o domingo.
Ele conseguiu ser bem legal ao final...

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Hoje, dia aparentemente comum, que é aquele sem nada de muito diferente... até que...
paro, escuto... música. Um rufar de tambores misturados à música clássica erudita tocada em um teclado-piano... maravilha de mistura!
Todos no hall do cac ficaram abismados, admirando enquanto que, com a música, a chuva veio e, assim como ela inundou a grama, a música inundou nosso interior, como raízes elétricas vindo debaixo, pelo chão, até chegar a nossas cabeças e provocar o ritmo! Cirandas foram formadas, pessoas sorriram, animadas, outra apenas admiraram... Eu fiquei no passo e no escutar... sentindo o ritmo me inebriar completamente...

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- Tá. Faz assim: fale sobre você, e eu vou te perguntando e você me respondendo...
- Tá. Meu nome é Adriana Monteiro, estudo artes cênicas, tenho 22 anos...- e por aí foi um monte de coisas que devia ter falado e acabei não falando mais, e outras que talvez nem devesse ter falado. Ô vida impulsiva e complicada é essa ?

Mas, ao final de tudo, ainda podemos sorrir...
e ouvir a música que a chuva nos traz na noite.

domingo, 22 de maio de 2011

Um domingo como todos nós.

Domingo é a ressaca nostálgica do dia de sábado.
Mas pode ser tão parado...
agoniadamente melancólico.
Preto no branco, como dizem por aí...
chato. Incrivelmente chato, independentemente do que você faça.

Pode ser também o dia do vazio...
aquele vazio inexplicável que te faz pensar onde está a beleza das coisas...
ou onde está o perder da beleza das coisas...

Só não perca o foco, diz.
Só não perca o foco...
e tudo se encaixará com o tempo,
como o domingo ainda tenta se encaixar no meio das semanas que se sucedem...

como todos nós.